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Black Mirror à luz da Psicologia: reflexão sobre aceitação social e qualidade de vida

Por Kélia Lemos

As redes e parâmetros sociais do ambiente atual são mudanças inegáveis na nossa cultura. Nesse contexto, sabendo que as redes sociais estão presentes na vida da maioria da população, a Psicologia deve estar preparada para atuar nesse ambiente. Pensando na importância do assunto, a Universidade Ceuma promoveu a palestra “Análise de um episódio da série Black Mirror à luz Psicologia”.

O evento foi realizado no Auditório Josué Montello, no campus Renascença, e teve como ministrante Yanne Azevedo, Psicóloga formada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Mestra em Teoria e Pesquisa do Comportamento e fundadora do Núcleo Maranhense de Análise do Comportamento (NMAC).

“Nós da Psicologia não temos como ignorar isso. Nossos clientes, os locais onde nós vamos trabalhar e nossos alunos estão lidando com isso, então nós precisamos nos prepararmos para enfrentar essa realidade”, afirmou.

O episódio analisado no evento foi o “Queda livre”, da série Black Mirror, uma produção da Netflix. O conflito da trama se desenvolve sobre uma mulher que faz verdadeiras loucuras para ser notada e pontuada por pessoas relevantes no mundo da mídia. Lacie Pound, a personagem em questão, quer aumentar sua pontuação para adquirir uma casa em um condomínio de luxo e também para usufruir dos benefícios que pessoas consideradas premium no ranking de pontuações têm. Lacie vive em uma sociedade onde as pessoas obtêm privilégios através de suas pontuações – que variam de 1 a 5 estrelas. Nela, as pessoas pontuam umas as outras o tempo inteiro pelo celular.

FOTO 2 (1) Professora alerta sobre o uso indiscriminado das redes sociais como fator de insensibilidade comportamental

A questão é que esse meio das pontuações é um mundo artificial e imprevisível em que os indivíduos podem pontuar os outros negativamente por uma simples fechada de trânsito, um look que não gostou ou uma resposta atravessada, tornando a avaliação algo muito arbitrário.

Sobre esse ponto, Yanne Azevedo destacou: “Na busca por essa mudança de nível a personagem passa por várias situações e relações, ficando muito mais sob o controle das pontuações do que da qualidade dessas relações. É como se ela estivesse buscando uma qualidade de vida, quando na verdade está mais interessada nos pontos e aquém das relações  nas quais está inserida, observando-se o tempo todo a agir de forma artificial, o que não a faz feliz”.

“Para a Análise de Comportamento a pessoa precisa entender o que controla o seu próprio comportamento, a fim de poder fazer escolhas que tragam melhor qualidade de vida. Então, discutir esse episódio é importante para que as pessoas possam se questionar sobre o quê é mais importante: aprovação social ou viver experiências que as façam felizes”, destacou a psicóloga Yanna Azevedo.

Acerca desse aspecto, a professora enumerou alguns possíveis prejuízos observados sobre o uso indiscriminado das redes sociais:

  • Relacionamentos superficiais;
  • Insensibilidade comportamental, com seguimento de regras e não priorização da experiência;
  • Ficar sob o controle do reforçamento artificial em detrimento do reforçamento natural;
  • Déficit no desenvolvimento do repertório de descrição de eventos privados e autoconhecimento, com dependência do outro para suprir essa lacuna;

Ao final do evento, a profissional concluiu que é importante buscar qualidade de vida e não aceitação social.

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